Centeno convertido ao 'passismo' contra Costa?


 Acabo de ver a 'estranha' mensagem que o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, dirigiu hoje aos cidadãos gregos.
Naturalmente não me admira o discurso do representante dessa instância anómala da U.E. pois ele decorre da filosofia económica que esse organismo impôs aos povos das nações europeias mais ou menos periféricas.
Outra coisa penso do facto do protagonista da mensagem ser também ministro das Finanças de Portugal. É triste...

Na sua retórica, essencialmente ofensiva para as gentes da Grécia, o ministro de um Governo suportado por uma maioria de esquerda que fez da reversão da austeridade troikiana a sua aposta (com sucesso, reconheça-se) veio dizer-nos que «os gregos pagaram caro as más políticas do passado»
Extraordinário! Esta é uma 'cambalhota' de 180º naquilo que constituiu, até hoje, o ponto de vista do PS quanto à 'crise', as suas causas e a sua superação.
Com esta simples frase Mário Centeno deitou para o lixo toda a lógica com que António Costa se opôs a Passos Coelho e veio, agora, dar razão a este último.
Afinal se os povos, grego e português, tiveram que pagar (diria sofrer) por causa das «más políticas do passado», razão tinha o PSD quando andou a dizer que a austeridade (e todos os demais ditames da Troika) eram culpa das más políticas do PS e do Governo de José Sócrates (no qual António Costa era o número dois).
Chega a ser enternecedor ver o ar ceráfico com que o presidente do Eurogrupo retoma o discurso de Passos Coelho sobre as «más políticas do passado».
Creio que se houvesse coerência política ou Mário Centeno se demitia imediatamente ou seria o governo a ter que se demitir. Afinal o presidente do eurogrupo acabou de dizer que o atual governo, incluindo o seu ministro das Finanças,  andaram a mentir aos portugueses durante três anos.
Ficámos, assim, a saber que a 'crise das dívidas soberanas' não foi consequência da crise financeira mundial e do colapso iminente da banca europeia (sobretudo alemã e francesa) que os povos do Sul foram obrigados a pagar. Afinal a 'crise' não foi uma estratégia de espoliação que a austeridade alimentou e agravou. Afinal tudo se resumia aos erros de despesismo das nações pobres e à imprudência dos governantes anteriores à intervenção salvadora da Troika.
Passos Coelho deve-se sentir vingado e, provavelmente, Sócrates dá gargalhadas.
Parece que esta intervenção do presidente do Eurogrupo já deu origem a alguns "incómodos" no Partido Socialista. Claro que as vozes do 'estabelichment' acorreram a pôr os pontos nos is naquele 'elevado' estilo tão ao gosto dos zeladores da fé no "Clube PS". Naturalmente que Ascenso Simões (o pouco sucedido ex-diretor de campanha do PS nas legislativas de 2015) teve que se pôr em bicos dos pés para que não se esquecessem que ele pretende continuar  no aparelho partidário (ainda que se considere um deputado mal pago ) para combater o "radicalismo barato".
Diria que talvez se justifique alguma preocupação...

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